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O Ventre da Cultura: Porque o Brasil só Existe Porque Nós Produzimos e Invetamos

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

No dia 08 de março, o mundo para para falar de "conquistas" e "direitos". Mas, para nós, que habitamos o olho do furacão da cultura brasileira, essa data tem um peso diferente. Ela é o lembrete de que o Brasil não é um acidente geográfico. O Brasil é uma invenção deliberada de mulheres que se recusaram a ficar invisíveis.


​Produzir cultura nunca foi só sobre assinar contratos ou preencher formulários. Produzir é o ato ancestral de dar corpo ao que só existe no desejo. É a teimosia de acreditar que uma ideia pode mudar a pulsação de uma cidade. E, se olharmos para trás, muitas das maiores revoluções deste país foram feitas foras dos gabinetes, nas mentes de mulheres que foram, cada uma à sua maneira, as maiores produtoras de mundos que já vimos.


​As Tecelãs do Nosso Imaginário


​Quando Chiquinha Gonzaga enfrentou a sociedade para reger uma orquestra e compor o Abre Alas, ela estava produzindo a nossa liberdade de rua. Ela abriu a primeira clareira para que hoje pudéssemos ocupar o asfalto.


​Tarsila do Amaral pintou além de cores, e produziu a nossa forma de ver o mundo. Ela nos deu a coragem de sermos e de engolirmos o que vem de fora para criarmos algo visceralmente brasileiro. Ela produziu o nosso olhar.


​E o que dizer de Carolina Maria de Jesus? Entre a fome e o papel, ela produziu a literatura mais necessária deste país. Ela provou que a produção nasce da urgência, e que a voz de uma mulher, mesmo no "quarto de despejo", pode ecoar até os confins do mundo se houver a coragem de escrever a própria história.


​Passamos pela doçura fatal de Gal Costa, que produziu o som de uma revolução estética silenciosa, e pela irreverência de Rita Lee, a nossa padroeira da liberdade, que nos ensinou que produzir é, acima de tudo, um ato de prazer e insubmissão. Citamos ainda a dignidade de Fernanda Montenegro, que produz o sagrado em cada tablado, e a voz de Elza Soares, que produziu o grito de um milênio inteiro, nos ensinando que a carne mais barata do mercado não aceita mais o silêncio.


​O Fim da Solidão Técnica: Você é o Legado


​Sabemos, pelas nossas pesquisas, que muitas de vocês sentem o peso da solidão técnica. Que existe um cansaço de serem sempre "as mãos" que executam o sonho dos outros e o desejo latente de serem finalmente a cabeça que comanda a gestão. Esse sentimento é o chamado da sua linhagem.


​A mesma força que movia Carolina a escrever no lixo e Rita Lee a eletrificar a MPB é a força que te faz virar noites montando uma logística impossível ou negociando um patrocínio difícil. A produção cultural brasileira é feminina. Nós somos as gestoras do afeto, as arquitetas do invisível e as guardiãs da memória deste país.


​No dia 08 de março, no nosso 2º Encontro Nacional Mulheres Produtoras, vamos além de celebrar apenas o "ser mulher". Vamos celebrar o fato de que somos nós que mantemos o palco de pé. Vamos honrar Gal, Tarsila e Elza olhando nos olhos umas das outras e reconhecendo que a próxima grande revolução cultural brasileira está sendo produzida agora, por você.


Quando você vira a noite ajustando um cronograma que ninguém mais acredita, ou quando engole seco o medo da burocracia para não deixar o palco apagar, você está sendo o ventre do que o Brasil tem de mais precioso. Aquela "solidão técnica" que você relatou na nossa pesquisa, aquele peso de carregar o piano enquanto outros levam os aplauso, é exatamente o mesmo fogo que queimava em Carolina Maria de Jesus enquanto ela escrevia no lixo, ou em Rita Lee quando ela desafiava o que era "permitido" a uma mulher.


​Olhe para as suas mãos. Elas são a continuidade direta do pincel de Tarsila e da batuta de Chiquinha Gonzaga. Você é a arquiteta do invisível. O Brasil que o mundo aplaude só existe porque você decidiu, em algum momento de coragem silenciosa, que aquele projeto iria nascer. Você é dona da engrenagem.


​Quando nos encontrarmos em São Paulo, você poderá olhar nos olhos de centenas de mulheres que sentem a mesma dor e a mesma glória que você, e entender, de uma vez por todas, que você nunca esteve sozinha. Você é o sonho mais ousado das que vieram antes, e a segurança técnica das que virão depois.


​O palco está montado. A história já foi escrita por elas. Mas a produção do futuro... essa só pode ser assinada por você!


​Nos vemos no dia 08. Para honrar o passado, e assumir, finalmente, o comando do seu destino.


Atenção: ingressos para o 2º Encontro Nacional Mulheres Produtoras estão esgotados. Porém, abrimos vendas para a transmissão ao vivo. Participe, e eleve sua carreira para o próximo nível!


 
 
 

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