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10 mulheres que fizeram HISTÓRIA no brasil.

  • 8 de mar. de 2021
  • 8 min de leitura

Atualizado: 28 de jul. de 2024

1. Bertha Lutz (1894-1976) - BotĂąnica, advogada e militante feminista

Bertha Lutz nasceu no Rio de Janeiro e recebeu educação esmerada. Estudou na Sorbonne, na faculdade de CiĂȘncias e lĂĄ em Paris entrou em contato com as ideias feministas.

Volta ao Brasil, em 1918, e trabalha como tradutora no Instituto Oswaldo Cruz junto ao seu pai, o zoĂłlogo Adolfo Lutz.

Torna-se a segunda mulher a prestar concurso pĂșblico no Brasil, mas sua inscrição sĂł seria aceita apĂłs uma batalha judicial. É aprovada e ingressa como secretĂĄria do Museu Nacional, do qual, anos mais tarde, seria diretora.

Bertha Lutz tambĂ©m desenvolveu um notĂĄvel trabalho como educadora. Funda a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher e participa da Associação Brasileira de Educação que defendia a educação pĂșblica, laica e mista, e o ensino secundĂĄrio para todos.

Ao lado de vårias mulheres, consegue que o Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, aceite o ingresso de meninas.

Em 1928, ingressa na Faculdade de Direito, da Universidade do Brasil para entender o lugar da mulher na legislação brasileira.

Durante a luta pela conquista do voto feminino, participa da campanha para prefeita de Alzira Soriano Teixeira, em Lages (RN).

Em 1935 Ă© eleita para suplente de deputada, cargo que assume em 1936 e termina com o golpe de Estado de 1937. Desta maneira, volta a dedicar-se Ă  ciĂȘncia, organizando o acervo do pai no Instituto Oswaldo Cruz.

Bertha Lutz dĂĄ o nome a vĂĄrias escolas e ruas por todo paĂ­s. Em 2001, foi instituĂ­do pelo Senado brasileiro, o Diploma Mulher CidadĂŁ Bertha Lutz. Este prĂȘmio tem como objetivo homenagear anualmente cinco mulheres que tenham se destacado na luta dos direitos femininos no Brasil


2. Chiquinha Gonzaga (1847-1935) - Compositora, pianista e maestrina


Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro e era neta de escravos. Seu pai a casou quando tinha 16 anos, mas ela se revoltou contra o maltrato do marido e o abandonou.

Pianista autodidata, passa a compor obras e chama atenção dos produtores da Ă©poca. Em 1884, estreia a opereta "A Corte na Roça", sob sua regĂȘncia e isso a tornou a primeira maestrina brasileira.

Do mesmo modo, se engaja na luta contra a escravidão, os direitos autorais e femininos. Recusa a publicar suas partituras sob pseudÎnimo masculino e escandalizava a sociedade com sua vida amorosa chocante para os padrÔes da época.

Chiquinha Gonzaga soube dar um toque brasileiro aos ritmos europeus que se escutavam e dançavam como a valsa, a polca e a mazurca.

SerĂĄ precursora das marchinhas de carnaval com os temas "Lua Branca" e "Ó, Abre-Alas" atĂ© hoje presença obrigatĂłria no repertĂłrio carnavalesco.

Deixou mais de duas mil composiçÔes e dentre as quais se destacam "O Corta-Jaca", "Atraente", além das jå citadas.

O dia do seu nascimento,17 de outubro, foi declarado Dia Nacional da MĂșsica Popular Brasileira em 2012.



3. Tarsila do Amaral (1886-1973) - Pintora e desenhista


Tarsila do Amaral nasceu na cidade de Capivari, em São Paulo. De família abastada, proprietåria de fazendas de cafés, estudou em Barcelona quando adolescente.

Em 1920, vai para Paris onde frequentou a Academia Julien. Amiga da pintora Anitta Malfatti, as duas correspondiam-se e discutiam sobre os novos rumos que a arte estava tomando no Brasil e no mundo.

Ao voltar para o Brasil, Anita Malfatti a introduz no grupo que reunia os grandes nomes do modernismo do Brasil: Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menotti del Picchia.

Namora Oswald de Andrade e a ele dedica, em 1928, sua tela mais conhecida e obra mais cara de um artista brasileiro: Abaporu. Faz a sua primeira exposição individual no Rio em 1929.

Foi homenageada com retrospectivas na década de 60 no Museu de Arte Moderna, em São Paulo e na Bienal de Veneza.

A pintura de Tarsila absorve as tendĂȘncias modernistas europeias como o cubismo. Suas obras retratam as mudanças trazidas com a industrialização ao Brasil, as lendas e festas brasileiras como o carnaval.



4. Cristina Ortiz (1950) - Pianista


Nascida na Bahia, Cristina Ortiz foi criança prodĂ­gio no piano. Ingressou no ConservatĂłrio Brasileiro de MĂșsica, no Rio de Janeiro e aos 11 anos se apresentou sob regĂȘncia do maestro Eleazar de Carvalho.

Conseguiu uma bolsa para estudar em Paris, aos 15 anos, onde foi aluna da célebre pianista brasileira Magda Tagliaferro (1893-1986).

ApĂłs sua estada na capital francesa foi para os Estados Unidos estudar com Rudolf Serkin (1903-1991). Ali seria a primeira mulher e a primeira brasileira a vencer o Concurso Van Cliburn, em 1969, que Ă© realizado a cada trĂȘs anos. Somente 30 anos mais tarde outra mulher ganharia este prĂȘmio.

No anos 80 era a Ășnica mulher que figurava na sĂ©rie "Os Pianistas" promovida pela Orquestra SinfĂŽnica Brasileira (OSB) no Rio de Janeiro.

Gravou mais de 30 discos como solista ou acompanhada de orquestras. JĂĄ deu master class na Julliard School of Music, em Nova York e na Real Academia de MĂșsica, em Londres. Atualmente, alĂ©m de concertista, reĂșne todos os verĂ”es jovens pianistas na sua casa no sul da França para dividir sua experiĂȘncia musical.



5. Ana Cristina Cesar (1952-1983) - Poeta e tradutora



Ana Cristina Cesar nasceu no Rio de Janeiro e foi uma das poetas mais importantes dos anos 70. Criada num ambiente intelectual, o pai fundou a editora Paz e Terra e a mãe, professora. Aos seis anos ditou seu primeiro poema e aos dez organizou sua memória poética.

Fez um intercĂąmbio na Inglaterra que marcaria seu encontro com a poesia de lĂ­ngua inglesa. Cursaria letras na PUC/RJ, num momento em que esta universidade fervilhava politicamente com o fim da ditadura militar.

A poesia de Ana Cristina se insere no movimento da poesia marginal e da Geração Mimeógrafo. Mais do que a musa desse grupo, a poeta foi uma grande criadora. Os versos de Ana Cristina refletem sua intimidade e conseguem contatar o leitor

Intensa e ansiosa por escrever sempre mais, Ana Cristina lançou em vida “A Teus PĂ©s” e “Luvas de Pelica”. Cometeu suicĂ­dio aos 31 anos, o que apenas contribui para alimentar o mistĂ©rio sobre a vida da escritora.

A autora foi a segunda escritora a ser homenageada na Feira LiterĂĄria Internacional de Paraty.



6. Zilda Arns (1934-2010) - Fundadora da Pastoral da Criança


Nascida em Santa Catarina, Zilda Arns se formou em Medicina, se especializou em Pediatria e também era sanitarista. Era irmã do arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que se destacou pela sua oposição à ditadura militar.

Foi mĂŁe de cinco filhos e ficou viĂșva em 1978. Desta maneira, pĂŽde dedicar sua vida aos necessitados atravĂ©s da fundação da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.

Esta instituição, ligada Ă  Igreja CatĂłlica, tinha como objetivo combater a desnutrição infantil, a desigualdade social e a violĂȘncia.

A Pastoral da Criança orienta as mĂŁes ao aleitamento materno, a fazerem o soro caseiro e a multi-mistura. AlĂ©m disso, ensina noçÔes de higiene e saĂșde.

A pastoral atua em 43 mil municípios do Brasil e calcula-se que mais de dois milhÔes de crianças tenham sido beneficiadas pelo seu trabalho.

Zilda Arns faleceu durante o terremoto que devastou o Haiti em 2010.



7. Chica da Silva (1732-1796) - Escrava alforriada



Francisca, nasceu em 1732, no Arraial do Tijuco, hoje Diamantina (MG). Nascida de mĂŁe escrava e um militar portuguĂȘs, que as abandonaram e nĂŁo lhes concedeu alforria. Posteriormente, foi escrava de um mĂ©dico e com ele teve um filho.

Porém, o contratador João Fernandes (responsåvel pela compra e venda dos diamantes), compra Chica da Silva e os dois se apaixonam. Para escùndalo da sociedade, passam a viver juntos e a liberta. Ambos teriam 13 filhos que foram reconhecidos pelo pai, algo raro na época.

Chica da Silva tornou-se uma senhora poderosa e rica, mas nĂŁo foi totalmente aceita pela sociedade e jamais pĂŽde entrar em certas igrejas e casas.

Igualmente, teve escravos e se vestia de maneira elegante, usando joias e perucas, para exibir sua riqueza.

JoĂŁo Fernandes voltou para Portugal em 1770 levando consigo seus filhos homens enquanto as mulheres ficaram sob os cuidados da mĂŁe. Morreria nove anos depois sem nunca ter reavisto a companheira.

Por sua parte, Chica da Silva administrou os bens de JoĂŁo Fernandes e assim, garantiu bons casamentos para algumas de suas filhas.


8. Enedina Alves Marques (1913-1981) - Engenheira civil


Se ainda causa estranheza uma mulher seguir a carreira de engenharia, imagine na década de 40. Enedina Alves Marques, nascida em Curitiba, foi professora de matemåtica. Ingressou na Universidade Federal do Paranå em 1940 e teve que conciliar o trabalho e o estudo.

Foi a primeira negra no Brasil a se formar como engenheira e a primeira a concluir o curso na universidade paranaense.

Seus esforços foram recompensados, pois quando terminou o curso, trabalhou no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paranå. Igualmente, integrou a equipe de engenheiros que atuou na construção da usina hidrelétrica Capivari-Cachoeira (PR).

Também foi a responsåvel pela construção da Casa do Estudante Universitårio do Paranå e o Colégio Estadual do Paranå, ambos em Curitiba.

Atualmente, o nome de Enedina Alves Marques batiza o Instituto de Mulheres Negras, de MaringĂĄ (PR).



9. Raimunda Putani Yawnawå (1980) - Pajé Yawnawå


Raimunda Putani YawnawĂĄ Ă© uma Ă­ndia que pertence ao povo YawnawĂĄ e nasceu na Terra IndĂ­gena do Rio GregĂłrio, no Acre.

Junto com sua irmĂŁ, KĂĄtia, foi educada na cultura indĂ­gena e dos brancos. Ambas falam o portuguĂȘs com facilidade.

Foram as primeiras mulheres da sua tribo a se oferecerem para o duro treinamento de se tornarem pajés. Tiveram que ficar um ano isoladas, comendo alimentos crus e sem beber ågua, somente um líquido à base de milho.

Desta maneira, puderam fazer o juramento Ă  planta RarĂȘ MukĂĄ, considerada sagrada nesta cultura porque abre a mente para o conhecimento e para a cura. As indĂ­genas se tornaram uma espĂ©cie de embaixadoras da cultura YawnawĂĄ.

Raimunda Putani recebeu o reconhecimento do Senado brasileiro ao ser distinguida com o Diploma Mulher CidadĂŁ Bertha Lutz.


10. Carmen Miranda (1909-1955) - Cantora e atriz


Carmen Miranda nasceu em Portugal, mas sua famĂ­lia foi para o Rio de Janeiro quando ela era ainda bebĂȘ. Foi criada no bairro da Lapa, onde conviveu com o melhor do samba carioca que se consolidava.

Com a irmã Aurora fez um duo que interpretava marchinhas e sambas no rådio. Carmen Miranda se tornou rapidamente uma cantora popular e os compositores passaram a dedicar-lhe vårios temas. Seu primeiro disco vendou 35 mil cópias, um recorde para a época e consagrou a composição "Taí?", de Joubert de Carvalho.

Seu sorriso cativante, a interpretação teatral que dava Ă s letras das cançÔes e sua dicção rĂĄpida inauguraram uma nova era para a mĂșsica brasileira. AlĂ©m disso, cuidava com esmero das suas roupas e acessĂłrios que a transformariam num Ă­cone da moda.

Com a aproximação dos Estados Unidos e do Brasil, por conta da política de Boa Vizinhança, Carmen Miranda vai para Hollywood, em 1939, gravar filmes e fazer shows.

Emplaca o sucesso “O que Ă© que a baiana tem?” de Dorival Caymmi e torna-se a artista mais bem paga dos Estados Unidos nos anos 40. A partir daĂ­ a personagem da “baiana” com seu figurino exĂłtico a marcariam definitivamente.

Por isso, seus crĂ­ticos nĂŁo perdoaram sua transformação numa caricatura, onde no Brasil era uma mulher vestida com uma profusĂŁo de frutas tropicais e mĂșsicos vestidos Ă  moda mexicana.

De todas as maneiras, o pĂșblico nĂŁo a esqueceu. Em 1955, quando faleceu, seu enterro no Rio de Janeiro foi uma verdadeira comoção popular que paralisou a cidade.

Sua influĂȘncia prosseguiu em movimentos culturais como o Tropicalismo e atĂ© hoje Carmen Miranda Ă© uma referĂȘncia do Brasil no exterior.


Fonte: https://www.todamateria.com.br/ por Juliana Bezerra




 
 
 
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